Domingo

8 de Setembro

Segunda feira franca

08h00 -

Salva de Morteiros

08h30 -

Largo de Camões
Zés Pereiras, gaiteiros gigantones e cabeçudos

09h00 -

Largo de Camões (Bandas de música com concerto durante todo o dia e noite)
Banda Musical de Famalicão
Banda Musical de Golães

12h00 -

Largo de Camões
Concentração de Zés Pereiras
Magnífica expressão da arte de ribombar. Os executantes empenham-se com toda a sua raça e energia. O público empolga-se e aplaude, levando ao rubro o espírito popular da festa.

15h30 -

1 - PIO LATROCÍNIO (COM PASSAGEM PELA CORRELHÃ) 1102
Um dos episódios mais controversos da rivalidade medieval entre as Catedrais de Braga e de Santiago de Compostela foi sem sombra de dúvida o acontecimento conhecido por “pio latrocínio”. Era bispo de Santiago de Compostela D. Diego Gelmirez, segundo bispo (1101/1120) e primeiro arcebispo da diocese (1120/1140) e arcebispo de Braga D. Geraldo de Moissac (1096/1108), de origem francesa. Ambas as dioceses possuíam jurisdições em diversos locais além e aquém rio Minho.
De acordo com António Matos Reis e baseado na crónica vulgarmente conhecida por História Compostellana, Diego Gelmirez decide, logo no início do seu pontificado, efetuar uma visita pastoral (1102) às terras submetidas à sua jurisdição localizadas a sul do rio Minho (em território do Condado Portucalense).
A D. Hugo (braço direito de Diego Gelmirez e futuro bispo do Porto) se deve o relato da viagem da visita pastoral. Fez-se o prelado compostelano acompanhar das pessoas mais importantes da sua cúria e enviou à frente um mensageiro a anunciar ao arcebispo de Braga a sua próxima chegada. Tratou-se de um ato de cortesia formal, uma vez que a visita se dirigia a locais que, em princípio, não estariam sob a jurisdição do prelado bracarense. O arcebispo de Braga convocou os fiéis e o clero e saiu em cortejo processional a receber festivamente o compostelano, introduziu-o pela mão na Sé de Braga, instou-o a celebrar aí a missa e depois convidou-o para a sua mesa e até lhe dispensou os aposentos, indo dormir a outra casa. Tendo-se despedido do seu anfitrião, que o acompanhara até à igreja de S. Vítor, iniciou a visita pastoral e, segundo o cronista, interessado em justificar de antemão as ações do prelado, aquilo que mais o afligia era a falta de cuidado com as relíquias ou, mais exatamente, com os corpos dos santos dispersos por estas igrejas, que diz “não estarem a ser objeto do culto devido mas jazerem a descoberto e em desordem à vista do público”, propondo como remédio a sua transferência para a Sé de Compostela (sem conhecimento do arcebispo de Braga). E do mesmo modo procedeu em relação às relíquias dos mártires S. Cucufate e S. Silvestre e da virgem e mártir Santa Susana. Passaram-se mais dois dias a congeminar a retirada do corpo de S. Frutuoso. Após a celebração da missa, aproximou-se o prelado compostelano do respetivo sepulcro e furtou-o em “piedoso latrocínio” (eum pio latrocinio sustulit) e, uma vez roubado, confiou-o à custódia dos seus guardas. De manhã, satisfeito com a notícia de que o que tinha feito não se tinha propalado e concluindo a sua piedosa visita pastoral, pôs-se rapidamente a caminho da vila de Correlhã. Aí, foi informado de que já tinha chegado aos ouvidos dos habitantes da vila Corneliana o rumor do que sucedera em Braga, ou seja, de que o Bispo de Santiago tinha cometido uma ação indigna (o roubo das relíquias). Congeminou então um ardiloso estratagema, encarregando um dos seus arcediagos, D. Hugo, de levar as relíquias pela calada, até atravessar o rio Minho. Chegado a Tui, o arcediago deixou-as no cenóbio de S. Bartolomeu, entregue à guarda de um diácono, que as conduziria, por sua ordem, até à igreja de S. Pedro de Cela, onde, durante dez dias, enquanto não chegava o Bispo, ficariam expostas à veneração dos fiéis, e regressou à Correlhã, a dar notícia a Diego Gelmirez do êxito da sua missão. Então partiu o prelado compostelano, cheio de júbilo, para acompanhar as relíquias de terra em terra até chegar a Santiago.
2 - D. MENDO AFONSO DE REFOJOS
HOMEM DA CORTE DO REI D. AFONSO HENRIQUES 1128-1154
Nos primórdios da nacionalidade portuguesa várias foram as famílias que contribuíram para o esforço de independência do Condado Portucalense levado a cabo por D. Afonso Henriques. Entre eles destacam-se os senhores de Refojos do Lima e em particular Mendo Afonso.
Mendo Afonso de Refojos casou com uma filha de Paio Guterres da Silva, chamada Gontinha Pais da Silva. José Mattoso refere a existência de um filho de Mendo Afonso, chamado Garcia Mendes de Refojos.
A partir de 1128, Mendo Afonso acompanharia de perto D. Afonso Henriques, colaborando com ele na atividade bélica e administrativa, centralizada na cidade de Coimbra, devendo parte da sua fortuna ao facto de ter colaborado com o infante na batalha de S. Mamede. De acordo com Teresa de Jesus Rodrigues, D. Afonso Henriques, a 15 de Maio de 1128 (antes da batalha), faz doação a Mendo Afonso de um condado que possuía em Refojos de Lima, alegando como motivo o bom serviço que este lhe tinha prestado e continuava a prestar “pro bono servicio quod mihi facis et facies”. Segundo José Mattoso, após a batalha de S. Mamede, o infante fê-lo seu pincerna, ou encarregado dos abastecimentos da corte (1134). Exerceu depois as funções de dapifer, provavelmente como subalterno do mordomo-mor do palácio, cargo em que o encontramos entre 1136 e 1154. Neste último ano acumulava tais funções com as de governador de Arouce, no concelho da Lousã, o que significa que combatia no exército de D. Afonso Henriques e merecia confiança suficiente para lhe ser atribuído um governo com importantes responsabilidades militares. Entretanto obtinha casais em Coimbra, certamente cedidos como préstamo pelo rei e adquiria propriedades em Pampelido, no concelho de Matosinhos, que trocava com a Sé de Braga, sem dúvida por não estar interessado na sua exploração. Também se apoderou de alguns bens da Sé de Coimbra que foram recuperados mais tarde pelo bispo de Coimbra Miguel Salomão. De acordo com António Matos Reis, em Coimbra assistiu ao nascimento da Ordem dos Cónegos Regrantes de Santa Cruz, em 1131, sob o patrocínio de D. Afonso Henriques, e conheceu de perto os fundadores e, entre eles, S. Teotónio, procedente do Minho (Ganfei), e D. João Peculiar, dali a poucos anos eleito arcebispo de Braga. Em junho de 1150, Mendo Afonso doava a seu irmão Pedro Afonso, Prior, e ao respetivo convento, o condado de Refoios, com o palácio, as terras e demais bens a ele anexos. A pedido dos mesmos Mendo Afonso e Pedro Afonso, D. Afonso Henriques confirmava, a favor da igreja de Santa Maria de Refoios e dos que nela oficiavam, o privilégio de couto que a essas terras concedera (em data desconhecida, entre 1148 e 1154). Em 10 de novembro de 1154 assiste-se ao ato solene que coroava todo esse processo, com a outorga da ‘carta libertatis’, verdadeiro auto de fundação oficial do Convento de Santa Maria de Refoios.
Ainda de acordo com José Mattoso, D. Mendo Afonso deve ter cometido alguma traição grave, porque o rei D. Afonso Henriques mandou-o cegar e confiscou-lhe umas casas (que haviam sido do rei Fernando, o Magno, em Coimbra, e ele tinha, provavelmente em préstamo), para as dar depois à Sé de Coimbra. Não admira que não encontremos na corte o seu filho Garcia Mendes, que tal como o seu pai, deve ter caído em desgraça e mal deve ter saído dos seus domínios.
3 - D. Afonso II e a confirmação do foral de D. Teresa | Agosto de 1217
D. Afonso II nasceu a 23 de abril de 1185 e faleceu em 25 de março de 1223, tendo ficado para a História de Portugal com o cognome de “O Gordo”. Era filho do segundo rei de Portugal, D. Sancho I e D. Dulce de Aragão. Os primeiros anos do seu reinado foram marcados por violentos conflitos internos (1211-1216) entre Afonso II e as suas irmãs Mafalda, Teresa e Santa Sancha de Portugal.
De acordo com Hermínia Vasconcelos Vilar, os conflitos do rei também se estenderam ao clero, com o todo poderoso arcebispo de Braga, D. Estevão Soares da Silva, o rei Afonso IX de Leão e os seus meios irmãos Martim Sanches (alferes do rei de Leão) e Pedro Sanches (mordomo do rei de Leão). No Livro de Linhagens do Conde D. Pedro é relatado o episódio da invasão por parte de Martim Sanches, que avança por Portugal até Ponte de Lima e aqui se defronta pela primeira vez com as forças de Afonso II, mas sem a presença do rei, que se tinha retirado para Gaia.
O reinado de D. Afonso II deixou atrás de si um governo inovador. Foram criadas as primeiras leis escritas, as famosas Leis Gerais, numa reunião da Cúria Régia extraordinária com representantes do clero e da nobreza, em 1211, na cidade de Coimbra. Promoveu também inquirições no ano de 1220, ou seja, inquéritos feitos por funcionários régios com vista a determinar a situação jurídica das propriedades e em que se baseavam os privilégios e imunidades dos proprietários. Levou a cabo uma outra medida importante, a criação do tabelionado público. Ainda de acordo com Hermínia Vasconcelos Vilar, através dele é formado um grupo de especialistas locais no registo e na redação de documentos, conferindo-lhes uma autenticação necessária. De acordo com a mesma historiadora, existe menção da existência deste tabelionado em Ponte de Lima no ano de 1218. O rei vai também promover uma política de confirmações que validavam as doações e privilégios concedidos nos anteriores reinados, após analisados os documentos comprovativos, estando incluídos nesta medida os forais.
Foi neste último contexto que chegou até nós, através de uma confirmação, o texto do foral atribuído por D. Teresa a Ponte de Lima em 4 de março de 1125. Face ao completo desconhecimento do original, dispomos apenas da versão registada na confirmação outorgada por D. Afonso II, quando em agosto de 1217 se encontrava em Guimarães. De acordo com José Marques, fica-nos a convicção de que o escriba que integrava a comitiva régia copiou apenas algumas passagens do foral apresentado, consideradas suficientes para no registo da Chancelaria constar que D. Teresa tinha, efetivamente, outorgado carta de foral a Ponte de Lima, noventa e dois anos antes, elevando o lugar de Ponte à categoria de vila e sede de concelho, então criado. Ainda de acordo com José Marques, o texto hoje conhecido do foral de Ponte de Lima apresenta, apenas, os elementos que os oficiais da Chancelaria de D. Afonso II, que o acompanhavam na visita ao norte do Reino e com ele se encontravam em Guimarães, onde lhe foi apresentado o foral de D. Teresa, que o monarca confirmou, consideraram indispensáveis e suficientes para, a todo no tempo, a Chancelaria régia poder certificar a veracidade da outorga do foral de D. Teresa aos moradores de Ponte de Lima e que o escrivão incumbido da tarefa (Fernando Soares), então extratou.
4 - FUNDAÇÃO DO CONVENTO DE SANTO ANTÓNIO DE PONTE DE LIMA 1481
O convento de Santo António de Ponte de Lima foi fundado no ano de 1481, fora das muralhas mas muito próximo da vila, com o patrocínio de D. Leonel de Lima, alcaide-mor de Ponte de Lima e 1.º Visconde de Vila Nova de Cerveira.
D. Leonel de Lima era filho de Fernão Anes de Lima, que tinha servido D. João I e de quem beneficiou de importantes doações, e vai receber do mesmo rei, D. João I, a confirmação de todos os bens e senhorios paternos em 1429. Casou em 1432 com D. Filipa da Cunha, de cuja união nasceram 11 filhos. Desde 1454 é referido como Fidalgo da Casa Real e do Conselho Régio. Foi contemplado com várias benesses régias, quer em forma de tenças, quer em doações patrimoniais, destacando-se de entre elas Vila Nova de Cerveira, em 1471, a Terra de Beiral de Lima, em 1475, e, finalmente, a 4 de maio de 1476, a concessão do título de Visconde de Vila Nova de Cerveira e o tratamento de Dom.
Terá nascido por volta de 1403 (?) tendo falecido a 13 de abril de 1495, com aproximadamente 92 anos. D. Leonel de Lima está intimamente ligado à História de Ponte de Lima, não só pelas quezílias que manteve com a vereação do concelho ao tentar interferir permanentemente nos assuntos da vila, mas também pelas inúmeras iniciativas que promoveu e testemunhos que deixou, das quais salientamos a fundação, com D. Filipa da Cunha, em 1481, do Convento de Santo António de Ponte de Lima.
De acordo com António Matos Reis, a igreja foi construída sob a orientação do mestre biscainho Martim Anes e foi sagrada em 1485 pelo bispo auxiliar de Braga, D. Frei Gil. O convento de Santo António adotou desde o início a regra de S. Francisco. Em 1525 foi efetuada uma reforma da regra, de que nasceu a ordem dos capuchos, assim chamada devido à forma particular do hábito. Adotando esta reforma, o convento de Santo António ficou a pertencer, desde 1568, à Província de Santo António dos Capuchos do Reino de Portugal, cujos estatutos, concluídos a 4 de julho de 1672, foram em seguida aprovados pelo Papa Bonifácio VIII.
Dos vinte e quatro conventos que então a ordem tinha no reino só em quatro se fazia o noviciado, sendo um deles o de Ponte de Lima, que era um dos maiores da mesma ordem em Portugal. O edifício tinha instalações para 18 frades professos e um número maior de leigos, além das dependências destinadas às aulas e ao acolhimento de um grande número de noviços.
Em 1706 o convento passou a fazer parte da Província da Conceição, nela se conservando integrado até à extinção das ordens em 1834. A importância do convento pode também ser atestada pelo facto de muitos membros das principais famílias da vila quererem ser sepultados na sua igreja ou nos claustros, destacando-se a capela manuelina da igreja, mandada fazer pelo 3º Visconde de Vila Nova de Cerveira, D. Francisco de Lima, após o seu regresso da expedição que por sua conta efetuou a Arzila, no norte de África, em 1511.
Ainda de acordo com António Matos Reis, à sombra do convento de S. António, a Ordem Terceira de S. Francisco foi fundada em Ponte de Lima pelo ano de 1624, datando de 1683 o seu mais antigo estatuto conhecido. Entre 1745 e 1747 construiu, junto ao convento, a sua própria igreja. Esta foi edificada pelo mestre pedreiro Feliciano Alves do Rego, de Âncora. A torre sineira só foi acrescentada em 1806. Atualmente as igrejas de Santo António e de S. Francisco, com as suas dependências, constituem o Museu dos Terceiros.
5 - LENDA DAS UNHAS DO DIABO (CONVENTO DE SANTO ANTÓNIO DE PONTE DE LIMA)
Associada ao espaço do convento de Santo António de Ponte de Lima encontramos uma lenda conhecida de grande parte dos limianos, a Lenda das Unhas do Diabo.
De acordo com a mesma, e tendo por base a versão de António Manuel Couto Viana, vivia em Ponte de Lima um escrivão, odiado e temido. Desonesto, usurário, mostrava-se sempre capaz de falsificar documentos importantes em seu proveito, de empurrar para a ruína os seus clientes e de difamar quem vivia livre de qualquer suspeita. Um dia os sinos da vila anunciam a morte do escrivão, mas esse, antes de fechar os olhos, tentou comprar a consideração dos seus conterrâneos, fingindo-se arrependido dos seus atos condenáveis, comungando e recebendo a extrema-unção das mãos de um sacerdote. Perante a indiferença dos seus conterrâneos, apenas os frades franciscanos do convento de Santo António tiveram piedade e deram-lhe um enterro cristão, recolhendo o seu corpo no chão de uma das capelas da igreja, colocando-lhe por cima o peso de uma laje funerária. Após a cerimónia simples, os monges regressaram às suas celas para as orações e o sono. Porém, mal soaram as badaladas da meia-noite, eis que três fortes argoladas na porta da igreja acordaram toda a comunidade. Os monges correram para saberem quem lhes rogava auxílio em horas tão tardias. Deparou-se-lhes um cavaleiro muito alto e muito magro, de olhos coruscantes, envolto numa espessa capa negra. Dizia-se parente afastado do escrivão e vinha procurar-lhe a campa para uma última prece. Os monges indicaram-lhe a capela e o túmulo. Em passos ligeiros, o desconhecido aproximou-se do lugar onde haviam enterrado o escrivão e com uma força sobrenatural ergueu com as duas mãos a pedra que ocultava o caixão e arremessou-a para o centro da igreja. Depois tomou um cálice do altar da capela, sobre ele inclinou a boca do escrivão e, com um murro violento nas costas do defunto, obrigou-o a vomitar sobre o cálice a hóstia consagrada que havia engolido antes de falecer. Por fim, o estranho cavaleiro arrebatou o corpo inerte do escrivão e com ele fugiu por uma das janelas da igreja, partindo-a em mil pedaços e sumindo-se na noite. O desconhecido era o Diabo em pessoa que viera buscar a alma pecadora do escrivão.
6 - D. MANUEL I E A ATRIBUIÇÃO DO FORAL A ALBERGARIA DE PENELA 20 JUNHO DE 1514
“O atual concelho de Ponte de Lima é o resultado da aglomeração de várias realidades administrativas ao longo dos tempos, incluindo coutos, honras e antigos concelhos já desaparecidos. Dessa “outra” realidade fazia parte o concelho “vizinho” de Albergaria de Penela. Supõe-se que se tenha denominado como tal por antigamente se situar junto à estrada romana um albergue que servia os “passageiros” que por ali passavam.
De acordo com Ana Catarina Lima Noering Gomes e António Matos Reis, e apesar do longo historial das terras, o concelho de Albergaria de Penela nasce oficialmente a 20 de junho de 1514, com a concessão, por parte do rei D. Manuel I, de carta de foral, tendo como sede a atual freguesia de Anais (também designada como Penela de D. João, seu donatário - porque D. Manuel I confirma a D. João de Castro os direitos que tinha sobre a terra por direitos de seu pai, D. Pedro de Castro).
O foral de 1514 não foi o verdadeiro criador do concelho pois o mesmo já existia em 1497, porém é este foral manuelino que confirma e privilegia esta instituição municipal. Ainda de acordo com Ana Catarina Lima Noering Gomes, para a compreensão da estrutura orgânico-funcional do município de Albergaria de Penela é necessário, certamente, compreender a organização administrativa. O foral manuelino não nos permite ter uma imagem concreta das instituições municipais e do seu funcionamento, nem era esse o seu objetivo, porém, o sistema político-administrativo do concelho até ao início do século XVIII será de coexistência entre o senhorio, neste caso os Castros, e o município, sendo posteriormente, a partir de 1700, administrado unicamente pela Coroa. A regência do concelho efetuava-se, assim, segundo as Ordenações Manuelinas e posteriormente segundo as Ordenações Filipinas. Portanto, a estrutura administrativa seria idêntica à de outros municípios sujeitos à jurisdição senhorial. Quanto à jurisdição da terra, esta era competência de um único juiz ordinário, o que presidia na respetiva câmara, e relativamente à correição, era ao corregedor que competia esta função, neste caso pertencente à Comarca de Viana do Castelo, embora, em alguns casos, os senhores das terras pudessem exercer o cargo através de autorização régia, o que não se aplica nesta câmara em particular. Outros agentes intervenientes na administração do município eram o meirinho, sendo que três eram apresentados pelo senhor da terra e a câmara posteriormente escolhia um. Nas aldeias e freguesias, eram encarregados da justiça os quadrilheiros, de nomeação municipal, após a indicação dos nomes através de uma eleição local. O governo local estava entregue aos vereadores. Em Albergaria de Penela eram eleitos dois vereadores, de eleição trienal do povo a que presidia o Corregedor de Viana. Nos mesmos moldes segue o procurador, a quem competia agir em nome do concelho nos feitos relativos a rendas e bens concelhios, arrecadar e guardar as terças do concelho e, não havendo tesoureiro, como no caso, desempenhar as atribuições destes. Propunha a realização de obras julgadas necessárias nas casas, fontes, pontes, chafarizes, poços, calçadas, caminhos, e todos os outros bens do Concelho. Também quatro tabeliães que serviam alternativamente a câmara e a almotaçaria eram apresentados pelo senhor da terra. Na estrutura administrativa também surge o distribuidor, inquiridor, contador, juiz dos órfãos, juntamente com o seu escrivão. Quanto ao nível militar, era composta por um capitão-mor que governava duas Companhias.
Esta estrutura parece manter-se até ao liberalismo, alternando somente no facto de, no início do século XVIII, a terra ter passado à jurisdição régia. Irá o concelho assistir a mais duas alterações da sua estrutura administrativa: uma com a lei de 20 de julho de 1822 (liberalismo), normas que não chegaram a entrar em vigor em pleno, pois em 1823 surgiu a contrarrevolução (Vilafrancada) que não permitiu que a reforma fosse continuada; e uma segunda com a reforma de Mouzinho da Silveira de 16 de maio de 1832, mas que foi interrompida pois o concelho foi extinto formalmente com a Lei de 6 de novembro de 1836.
7 - CERIMÓNIAS DA QUEBRA DOS ESCUDOS EM PONTE DE LIMA PELA MORTE DO REI D. JOÃO V 29 AGOSTO 1750
Era um ritual praticado, pelo menos, desde o reinado de D. João I (primeira referência explícita à cerimónia da quebra dos escudos). Consistia numa cerimónia de quebrar os escudos do rei falecido para os substituir pelos do novo monarca. Esta cerimónia acabou por ser regulamentava na época do rei D. Manuel I através do Regimento do Senado (1502) e efetuou-se até à morte do rei D. Pedro V em 1861.
Ponte de Lima também realizou estas cerimónias, organizadas pela câmara. Seguiremos de perto o estudo elaborado por António Francisco Dantas Barbosa para uma dessas cerimónias: a quebra dos escudos em honra do rei D. João V, o “Magnânimo”. Falecido numa sexta-feira, 31 de julho de 1750, logo no primeiro dia de agosto redigiu-se uma missiva na capital do reino enviada à câmara da vila de Ponte de Lima a participar tal notícia. Os principais momentos que constituíram as celebrações de pesar, “quebra dos escudos” e exéquias religiosas realizaram-se separadamente, isto é, em dias distintos. No dia 29 de agosto teve lugar a fração das armas reais e somente oito dias depois, a cinco de setembro, foi a vez dos rituais religiosos.
Em Ponte de Lima, no sábado 29 de agosto de 1750, foi então preparada a cerimónia que consistia em “quebrar os escudos”. Num primeiro momento, cobriram-se de baeta preta os monumentos que simbolizavam a autoridade no concelho, como as armas dos Paços do Concelho, da torre da ponte, dos quartéis e do pelourinho. Nos pontos mais movimentados da vila armaram-se três estrados para a encenação daquele ritual, um dos quais se localizava no passeio ou “praça do polourinho velho”, outro na rua do Pinheiro e o último na praça da igreja Matriz. O pátio do Paço do Concelho, de igual forma revestido de baeta preta, serviu para o sargento-mor reunir as ordenanças, que posteriormente se postavam em alas ao longo das ruas da vila (…). Neste cerimonial público, os limianos preocupavam-se com o cumprimento das regras de hierarquia, por isso no corpo do cortejo deviam ficar bem visíveis os lugares ocupados pelos indivíduos mais influentes da vila e com cargos de grande poder. Desta maneira, dos Paços do Concelho saía o préstito precedido pelo sargento-mor e alguns quadrilheiros, seguindo-se “o Alcayde, o porteiro e meirinho imqueridor e escrivão dos orfaons, os mais escrivaens”, de acordo com a antiguidade. O procurador do concelho ostentava uma bandeira de baeta preta, sendo uma das extremidades amparada por um guarda da câmara. Ao escrivão cabia-lhe transportar uma vara preta com as “armas Reais”, tal como ao juiz de fora, alcaide e meirinho. Cada um dos três vereadores conduzia um escudo preto, enquanto os juízes dos mesteres e vintenas levavam varas também elas negras. O desfile integrava igualmente tambores, revestidos de baeta, ritmado por uma banda de soldados da ordenança, os quais desfilavam todos de preto e bem trajados. O corpo do desfile engrandecia-se com a presença de muitas individualidades da localidade, indo os oficiais de justiça, juiz, vereadores, procurador e escrivão da câmara, todos trajados de luto (…). O povo apenas era espetador ao cortejo que desfilava pelas ruas.
O desfile passou pela rua da “Fonte da villa abaixo”, por detrás da igreja, em direção à rua de São João e “sahirão pella porta Fora”. Esta marcha fúnebre direcionava-se para o primeiro estrado alocado no passeio, onde se encenou a ritualização da quebra do primeiro escudo. O protagonista foi o vereador mais velho, António Pereira Pinto de Araújo Azevedo Fagundes, (…) que orientou o seu olhar para a multidão de gente instalada na ponte e, num simples gesto, retirou o chapéu com a mão direita proferindo as seguintes palavras: “Nobres choray, chore o povo, que faleceo o muy alto e poderoso Rey digo poderoso invicto Rey Senhor D. João quinto”. Após estas palavras (…) mostrou o escudo das armas e em tom mais baixo referiu “estas forão as suas armas”, procedendo à quebra do primeiro escudo. Num gesto de cortesia para com os membros do senado ali presentes, baixou a cabeça e, descendo do estrado, montou em “hum seu cavalo cuberto todo com dezoito côvados de baeta, e somente huas olheiras para ver”. Na mão direita conduzia um estandarte fúnebre de baeta preta com uma longa cauda, destacando-se um “caudatário” para pegar na sua extremidade. A representação da quebra do segundo escudo decorreu na tarimba alocada na rua do Pinheiro. Desta vez, coube ao vereador António Luís Pereira Malheiro desempenhar os rituais de forma semelhante aos praticados pelo primeiro vereador. Terminado aquele cerimonial, o corpo do cortejo desceu pela rua do Pinheiro e, entrando “pella porta do Souto”, dirigiu-se ao “treceiro teatro”. No cimo deste foi o vereador Gonçalo Coelho de Araújo que executou os mesmos rituais, gestos e proferiu o discurso. Deste local partiu-se para os Paços do Concelho transformados num espaço cénico para receber o culminar destas encenações de pesar e dor manifestadas pelo monarca. O vereador mais velho, António Pereira Pinto de Araújo Azevedo Fagundes, após ter apregoado as últimas frases laudatórias ao rei, subiu para o pátio juntamente com a vereação. A cortina deste grande “palco” descaía após as proclamações feitas por cada um dos vereadores. O corpo de soldados dava o seu contributo para o encerramento com “tres salvas” de morteiros. A cerimónia terminava com o recolhimento da vereação no Paço do Concelho, quando “se fechou a porta”.
8 - D. TOMÁS XAVIER DE LIMA 1.º MARQUÊS DE PONTE DE LIMA 1727-1800
D. Tomás Xavier de Lima Brito Nogueira Vasconcelos Teles da Silva nasceu em Ponte de Lima no dia 12 de outubro de 1727 e faleceu a 23 de dezembro de 1800. Foi herdeiro de seus pais, a 13.ª Viscondessa de Vila Nova de Cerveira, D. Maria Xavier de Lima e Hohenlohe, e de Tomás da Silva Teles, este filho dos segundos marqueses de Alegrete. O pai foi um militar perseguido pelo Marquês de Pombal, tendo morrido encarcerado no castelo de S. João da Foz do Douro, durante o governo do referido Marquês, por acusações de estar envolvido na conspiração do duque de Aveiro de 3 de setembro de 1758 para assassinar o rei D. José I. A 17 de outubro de 1778, seu filho, já como Ministro, obteve despacho real de D. Maria I que declarava seu pai inocente de todas as acusações do tempo do Marquês de Pombal.
D. Tomás Xavier de Lima Brito Nogueira Vasconcelos Teles da Silva casou em 1749 com a sua prima D. Eugénia Maria Josefa de Bragança (1725-1795), filha dos quartos Marqueses de Alegrete. De acordo com Gonçalo de Vasconcelos e Sousa, o Marquês de Ponte de Lima pode ser considerado uma das personagens mais preponderantes do reinado de D. Maria I, representando a sua figura muito do que simbolizou a “Viradeira”, ou seja, a recuperação de membros da velha nobreza para a ocupação dos principais cargos do Reino e, por vezes, nem sempre os mais capazes. O facto de a sua família ter sido perseguida por Pombal teve tradução na sua nomeação, logo em 1777, como Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Reino. Desempenhou ainda numerosos lugares ligados à governação do Reino: Presidente do Real Erário; Presidente do Conselho da Fazenda; Presidente da Junta de Comércio; Presidente da Junta do Protomedicato; Inspetor Geral das Obras Públicas. Sendo considerado muito culto em ciências teológicas, ocupou ainda os seguintes cargos: Presidente da Real Academia das Ciências de Lisboa; Inspetor Geral da Biblioteca Pública; Diretor e inspetor geral do Colégio dos Nobres. Foi ainda um dos Presidentes honorários da Sociedade Real Marítima, Militar e Geográfica. Foi também gentil-homem da Câmara da Rainha D. Maria I; Vedor da Casa da Rainha-mãe, D. Mariana Vitória e Bourbon; Mordomo-Mor da rainha D. Maria I a partir de 1780; Conselheiro de Estado em 1796.
Recebeu o título de Marquês de Ponte de Lima da rainha D. Maria I por decreto de 17 de dezembro de 1790.
9 - FREI FRANCISCO DE S. LUÍS CARDEAL SARAIVA 1766-1845
Francisco Manuel Justiniano Saraiva nasceu na rua das Flores, na vila de Ponte de Lima, no dia 26 de janeiro de 1766, no seio de uma família pequeno-burguesa e foi batizado com o nome de Francisco Manuel a 9 de fevereiro, filho de Manuel José Saraiva e de sua mulher Leonor Maria Correia de Sá, ambos de Ponte de Lima.
Ingressou no Mosteiro de São Martinho de Tibães, da Ordem de São Bento, em 6 de Abril de 1780, com 14 anos de idade. De acordo com António M. de Barros Cardoso, dois anos mais tarde, em 1782 fez solene profissão e enveredou pela primeira vez o hábito beneditino, sob a denominação de Frei Francisco de São Luís. Em novembro do mesmo ano, iniciou a frequência de um curso de Filosofia no Mosteiro de Santo André de Rendufe. Aí tomou lições de História, Filosofia, Lógica, Metafísica, Crítica Hermenêutica e Filologia, Geometria, Física, Ética e Direito Natural. Em 1783 frequenta o colégio beneditino instalado no Convento de Nossa Senhora da Estrela, em Lisboa. A partir de 1785, já dotado de sólida formação em vários domínios, instala-se no Colégio de São Bento em Coimbra, a fim de frequentar a Universidade. Doutorou-se me Teologia a 31 de julho de 1791. Tornou-se ainda sócio da Academia Real das Ciências com apenas 28 anos de idade (1794).
Entre 1797 e 1805, Frei Francisco de São Luís desempenhou tarefas várias em prol da Congregação que anos antes o acolhera. Organizou a biblioteca do mosteiro de Tibães, ministrou as disciplinas de Gramática Latina e Retórica do curso de Humanidades, exerceu a função de Secretário do Geral, Frei Manuel de Santa Rita Vasconcelos, em 1798. Foi eleito, em 1801 e 1804, abade do importante Colégio de São Bento de Coimbra e, em 1807, o Capítulo Geral elege-o para Cronista-Mor e 1.º Visitador da Ordem. Em 1805 ascendeu ao patamar dos degraus do magistério Universitário, na cidade do Mondego, ao ser provido no cargo de opositor da Faculdade de Teologia.
A partir de 1808, Saraiva assumiu um papel importante enquanto interveniente mais ativo no plano político, ao aceitar integrar a Junta de Viana do Castelo, constituída após o levantamento da província do Minho contra a presença napoleónica em Portugal. Foi um dos membros da Junta Provisional do Supremo Governo do Reino (1820), saída da revolução liberal do Porto de 24 de Agosto de 1820. Coube-lhe a responsabilidade na redação do Manifesto da nação portuguesa aos soberanos e povos da Europa, importante escrito produzido no âmbito da vertente governativa consignada aos negócios externos, com o objetivo de esclarecer a Europa acerca dos propósitos do Portugal novo, a estruturar politicamente sob a forma monárquico-representativa e a dotar com um texto constitucional a submeter à ratificação soberana do monarca. Logo após a abertura das Cortes Constituintes, consumou-se a eleição de Frei Francisco de São Luís para integrar o Conselho de Regência, nomeado pelas Cortes Constituintes em 26 de Janeiro de 1821, encarregue do executivo até ao regresso de D. João VI do Brasil. Em 19 de Abril de 1822, foi nomeado 53.º Bispo de Coimbra e 18.º Conde de Arganil. Havia, entretanto, sido designado Reitor da Universidade de Coimbra. Aquando da eleição dos primeiros deputados às Cortes Ordinárias do liberalismo, Saraiva é eleito e em dezembro de 1822 ocupa assento em Cortes. Entretanto, com a insurreição da Vilafrancada, em 27 de maio de 1823, as Cortes foram encerradas. Entre outubro de 1823 e fevereiro de 1825 permaneceu no mosteiro da Batalha.
O cumprimento escrupuloso das determinações que o impediam de participar na vida política, foram determinantes na obtenção de autorização para, em 1825, regressar a Ponte de Lima. Com a revolta da Abrilada, havia resignado ao episcopado em 30 de Abril de 1824. Em 1826, com a morte do rei D. João VI, com a aprovação da Carta Constitucional de 1826, é de novo eleito deputado e tornou-se Presidente da Câmara dos Deputados. Com o regresso de D. Miguel a Portugal e o golpe de estado que protagonizou em 1828, ao restaurar a Monarquia Absoluta, as Cortes foram dissolvidas e Saraiva é desterrado para o mosteiro de Serra da Ossa, no Alentejo, na condição de prisioneiro. Contava com 62 anos. Libertado em 1834, o Regente D. Pedro destina-lhe o cargo de Guarda-Mor da Torre do Tombo. De 1834 a 1836 foi o 40.º Guarda-mor da Torre do Tombo. O mesmo D. Pedro, reconhecendo a utilidade da experiência de Saraiva, chama-o a integrar o Conselho de Estado. Entretanto, o governo liberal, então chefiado por Pedro de Sousa Holstein, à época Marquês de Palmela, convidou-o a integrar o gabinete, como Ministro do Reino, cargo que desempenhou entre 24 de Setembro de 1834 e 16 de Fevereiro de 1835. Em 1836 foi Presidente da Câmara dos Pares. A sua carreira parlamentar termina, por motivos de doença, em janeiro de 1839. Em 1840, por pressão de Maria II de Portugal, foi feito Patriarca de Lisboa, título em que foi confirmado em 4 de Abril de 1843. Mais tarde, nesse ano, em 19 de Junho, o Papa Gregório XVI elevou-o ao cardinalato, sem que, contudo, jamais tivesse recebido pessoalmente o título e o barrete cardinalício.
A 7 de maio de 1845, com 79 anos de idade, morre em Marvila, estando enterrado no Panteão dos Patriarcas no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa.
10 - FUNDAÇÃO DAS FEIRAS NOVAS 5 MAIO DE 1826 D. PEDRO IV 7
Acerca da origem das feiras (novas) é importante referir que elas surgiram intrinsecamente associadas ao culto e à devoção a Nossa Senhora das Dores que se praticava na Vila de Ponte de Lima desde longa data. Assim, os limianos, no ano de 1825, através de uma petição, devidamente sufragada pela Câmara Municipal de então, solicitaram a realização de uma feira, utilizando como principal argumento que “…para promoverem a piedade cristã tinham colocado na Igreja Matriz da dita vila a Imagem de Nossa Senhora das Dores, e que se festejava no mês de Setembro, e que para se conservar o culto da mesma Senhora: Pediam a concessão de três dias de feira anual nos designados dias 19, 20 e 21 do mês de Setembro…”.
A presença atestada de Frei Francisco de S. Luís (futuro Cardeal Saraiva) em Ponte de Lima, após fevereiro de 1825, sofrendo um exílio forçado na sua “Pátria” após participação ativa no processo de implantação do regime liberal em Portugal, poderá indicar alguma participação informal no processo, apesar de não termos prova documental que possa corroborar tal afirmação.
Foi já no reinado de D. Pedro IV que a petição dos moradores de Ponte de Lima (realizada ainda no reinado de D. João VI) foi alvo de resposta com a provisão publicada a 5 de maio de 1826, ao estabelecer o Rei que “Hei por bem conceder aos suplicantes a graça que suplicam, determinando que nos sobreditos dias 19, 20 e 21 do mês de Setembro de todos os anos se faça feira de todos os géneros, mercadorias e gados na sobredita vila, e no local que designarem mais apto para efeito da mesma e cómodo para todos, ficando salvos os Meus Reais Direitos.”
D. Pedro proclamara a 7 de setembro de 1822 a independência do Brasil, tendo sido investido como imperador constitucional, pelo que, à data da concessão de realização das feiras (novas), D. Pedro acumulava as duas coroas: era Imperador do Brasil (Pedro I, Imperador do Brasil) e por morte de seu pai, D. João VI, havia sido reconhecido como legítimo rei de Portugal (D. Pedro IV, de Portugal). Será à Irmandade de Nossa Senhora das Dores, ereta na Igreja Matriz de Ponte de Lima, que competirá organizar os primeiros festejos das feiras (novas).
11 - ANTÓNIO FEIJÓPOETA E DIPLOMATA 1859-1917
António Joaquim de Castro Feijó nasceu na vila de Ponte de Lima a 1 de junho de 1859, na rua de Santo António (que já não existe). Era filho de José Agostinho de Castro e Sousa Correia Feijó e de sua mulher, D. Joana do Nascimento Malheiro Pereira de Lima e Sampaio. De acordo com José Cândido de Oliveira Martins, depois dos estudos preparatórios em Ponte de Lima e em Braga, em 1877 matriculou-se em Direito na Universidade de Coimbra, formação que concluiria em 1882.
Terminado o curso, exerceu temporariamente a advocacia, mas depressa abandonou a profissão a favor da carreira diplomática. Em 1886, em concurso público, foi nomeado Cônsul, partindo para o Brasil, primeiro como Adido na Legação do Rio de Janeiro e depois como Adido de Portugal no Rio Grande do Sul, para onde parte a 5 de novembro. Em 1888 foi colocado no Consulado de Pernambuco. Em 1891, partiu para Estocolmo onde é colocado como Cônsul Geral e Encarregado de Negócios interino, juntamente com o Ministro de Portugal, Visconde de Sotomaior. Em 1900 foi nomeado Cônsul Geral e Encarregado de Negócios em Estocolmo e em Copenhaga, na Dinamarca. Em 1906 apresentou credenciais como Ministro Plenipotenciário junto da Corte da Noruega.
Em 24 de setembro de 1900, casou com a bela sueca Maria Carmen Mercedes Joana Lewin, dezanove anos mais nova que ele, filha de pai sueco e de mãe equatoriana. Do casamento nasceram dois filhos, António Nicolau e Joana Mercedes. A sua esposa morreu prematuramente em 1915, acontecimento que abalou profundamente António Feijó. Os problemas de saúde do poeta-diplomata, sobretudo os ataques de gota, agudizam-se com o abatimento profundo em que mergulha.
António Feijó morreu a 20 de junho de 1917 com cinquenta e oito anos. Mais tarde, os seus restos mortais, juntamente com os de sua mulher, foram trasladados com honras militares, num navio da Armada Real Sueca, de Estocolmo para Lisboa. Um importante cortejo fúnebre trouxe, em novembro de 1927, os restos mortais do casal para Ponte de Lima, em cujo cemitério repousam, à sombra da inscrição tumular: “O amor os juntou, nem a morte os separou”.
António Feijó relacionou-se em vida com os espíritos mais esclarecidos do seu tempo, dentro e fora da literatura: Antero de Quental, Eça de Queirós, Oliveira Martins, Ramalho Ortigão, António Cândido, Visconde de Pindela, Conde de Arnoso, Conde de Sabugosa, Luís de Magalhães, Manuel da Silva Gaio, João Penha, Luís de Castro Osório, Guerra Junqueiro, Jaime de Magalhães Lima, Trindade Coelho, entre outros. A nível regional, manteve relações próximas ou de amizade com o Padre Araújo Lima, João Gomes de Abreu, o Conde de Bertiandos, Gaspar de Queiroz Ribeiro, o Conselheiro Vieira Lisboa, o Dr. António Inácio Pereira de Freitas.
António Feijó foi sobretudo um poeta e, desde os tempos de estudante, colaborou em variadíssimas publicações, onde foi publicando sobretudo poemas que mais tarde serão reunidos nos seus livros de poesia. Com Luís de Magalhães funda em Coimbra a “Revista Científica e Literária” (1880-1881). Como poeta, António Feijó publicou em vida várias obras: “Transfigurações” em 1882; “Líricas e Bucólicas” em 1884; “À Janela do Ocidente” em 1885; “Cancioneiro Chinês” em 1890; “Ilha dos Amores. Auto do Meu Afecto, Alma Triste” em 1897; “Bailatas” em 1907. Postumamente são publicados mais dois títulos pela mão do amigo íntimo Luís de Magalhães. Em 1922, “Sol de Inverno. Últimos Versos” e, em 1926, “Novas Bailatas”. De realçar que Ponte de Lima adotou para seu Hino oficial um poema da obra “A Ilha dos Amores”.
12 -PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA NOS PAÇOS DO CONCELHO DE PONTE DE LIMA 10 OUTUBRO 1910
Com a revolução do 5 de outubro de 1910, instaura-se em Portugal a República. A Monarquia caiu e não foi capaz de resistir à investida militar das forças republicanas. No entanto é necessário referir que o povo de Lisboa foi para as barricadas da Rotunda, confraternizou com a tropa, festejou a revolução, sendo um dos principais atores das primeiras 36 horas da República. O 5 de Outubro de 1910 foi feito com parte da população de Lisboa. Foi, neste sentido, um movimento popular, contando com os revolucionários civis e com aqueles que, apareceram e fizeram da rua o palco político da mudança de regime.
E no resto do País? De acordo com Maria Alice Dias de Albergaria Samara, utiliza-se frequentemente a ideia de que a revolução se fez em Lisboa e que depois foi telegrafada para o resto do país. A implantação da República teve diferentes dinâmicas nas várias localidades do território nacional que não se compadecem com uma visão simplificada como a de uma mudança de regime telegrafada para o resto do país. Uma das formas mais comuns destas implantações foi o hastear de uma bandeira republicana nos edifícios públicos. A tomada do poder foi levada a cabo através da conquista das sedes do poder municipal, designadamente através da formação de comissões administrativas, por vezes referidas como juntas revolucionárias. Por vezes, o pragmatismo político foi a solução encontrada: em Tarouca, por exemplo, o executivo municipal reuniu e decidiu aderir ao regime. Em muitos casos, a festa acompanhava a república, já que as implantações eram acompanhadas por filarmónicas ou outras bandas.
E em Ponte de Lima? De acordo com os registos oficiais, a República só foi proclamada formalmente a 10 de setembro de 1910 (segunda-feira) nos Paços do Concelho, após receção de um telegrama do Governador Civil de Viana do Castelo, Dr. Ferreira Soares, datada de dia 9 de setembro, com a finalidade da tomada de posse e conta da gerência do mesmo Município pelas novas autoridades republicanas. Assim, pelas nove horas da manhã, compareceram o ainda Presidente da Câmara, reverendo António Joaquim da Costa e Sousa, e a respetiva Comissão Municipal Republicana na sala das sessões da Câmara Municipal, para se proceder à transferência do poder para as novas autoridades, na presença de vários convidados, destacando-se os seguintes: Dr. José Justino Fernandes Lima, Juiz de Direito; António Emílio da Costa, Escrivão de Direito; Dr. Egídio Herculano Malheiro Correia Brandão, Conservador; João Gomes de Abreu e Lima, Recebedor do Concelho; João Coelho de Araújo Malheiro, chefe da estação telégrafo-postal; António Francisco de Miranda, chefe fiscal dos impostos; Tomas Pêrre, capitão da administração militar; Avelino Ernesto de Freitas Sampais, diretor da escola secundária; Dr. José Cândido Pinto da Crus e Costa e Dr. Amândio Celestino Vieira Lisboa, professores da mesma escola; Dr. Luís da Cunha Nogueira, presidente a direção da Associação de Socorros Mútuos dos Artistas e a respetiva banda; um piquete de Bombeiros Voluntários e a respetiva banda. É referido ainda a grande concorrência de povo no local da Praça da Rainha, fronteiro às janelas da sala de sessões e no qual se encontrava uma força de dezanove praças do Regimento de Infantaria número três comandada pelo tenente Joaquim Augusto de Oliveira, bem como a Filarmónica dos Artistas. Em seguida, o presidente cessante dá posse aos membros da Comissão Municipal Republicana: membros efetivos – Dr. Manuel José de Oliveira, António José Barbosa Pêrre, Francisco Pereira Campos, Bento António Gonçalves Pereira, Albino de Matos, José de Oliveira Martins de Albuquerque e Bernardo de Oliveira Gomes da Cunha; substitutos – Manuel de Sousa Amorim, Anselmo Armando dos Reis Sequeiros, António José de Sousa, José Bento Fernandes Lima, Avelino Pereira Guimarães, António Passos da Silva Brito e Manuel de Araújo. A presidência foi tomada pelo vogal mais velho de Comissão Municipal, António José Barbosa Pêrre, dirigindo-se à assembleia com um discurso a enaltecer o novo regime implantado, terminado com vivas à República e com aplausos. Em seguida, dirigindo-se todos para o pátio dos Paços do Concelho, que dava acesso à referida sala, o “vogal presidente” leu em voz alta uma proclamação ao povo. Terminada a leitura e na presença da força militar em continência, foi erguida no mastro do edifício a bandeira verde e vermelha com a legenda em branco – Pátria e Liberdade e dados pelo mesmo cidadão presidente os seguintes vivas: à República Portuguesa, à Pátria, ao Exército e à Armada e à Felicidade Nacional, a que a filarmónica (dos Artistas) correspondia com a “Portuguesa” e os presentes com ovações, “sendo nessa ocasião queimado muito fogo do ar”.
Todo o relato tem por base a ata lavrada pelo secretário da Câmara Municipal de então, Casimiro Augusto Alves Pereira e intitulada “Acta de Posse da Comissão Municipal Republicana e proclamação da República Portuguesa.”

Grupos Participantes e Colaboradores
Associação Amarcultura - (Calendário, Vila Nova de Famalicão) | Associação Cultural Unhas do Diabo | Associação de Jovens e Amigos de Friastelas | Associação Luz e Vida Santa Gemma Jovem - Freixo | Centro Equestre do Vale do Lima | Duplaface Companhia das Artes | Gacel | Grupo de Teatro Casa do Povo de Freixo | Instituto Limiano e Orfeão | Junta de Freguesia da Correlhã | Os Gorilas | Pequenos Atores do Lima | Teatro Art`In Facha

18h00 -

Expolima - TOURADA
Após o desfile do cortejo histórico, nada melhor que uma excelente corrida de
touros, com cartel de Luxo.
CAVALEIROS:
  • Rui Salvador
  • Filipe Gonçalves
  • Marcos Bastilhas
Forcados Amadores:
  • Santarém (Cabo: João Grave),
  • Ramo Grande - Açores (Cabo: Manuel Pires)
  • Toiros: 6 Bonitos Toiros da Ganadaria SÃO MARTINHO
    Abrilhantada pela Banda de Música de Ponte de Lima

21h30 -

PALCO A – EXPOLIMA

Rancho Folclórico da Casa do Concelho de Ponte de Lima «Lisboa» Grupo Recreativo Danças e Cantares de Ponte de Lima
Grupo Folclórico da Casa do Povo de Poiares
Rancho Folclórico da Lavradeiras de Gondufe
Grupo Folclórico da Correlhã
Grupo Folclórico de Santa Marta de Serdedelo
Rancho Folclórico da Ribeira
Grupo Etno-Folclórico de Refoios do Lima


PALCO B – JARDIM DO PAÇO DO MARQUÊS

Rancho Folclórico os Lusitanos S.Cyr Lecole «França»
Grupo Infantil Juvenil da Casa do Povo de Freixo
Rancho Folclórico de Santa Marinha de Anais
Rancho das Lavradeiras de São Martinho da Gandra
Grupo Folclórico da Gemieira
Grupo das Espadeladeiras de Rebordões Souto
Grupo Danças e Cantares de Vitorino de Piães
Rusga Típica da Correlhã
Grupo Danças e Cantares do Neiva de Sandiães



22h00 às 06h00

Expolima
Ponte de Lima • Music Fest •

00h30 -

ESPECTACULAR SESSÃO DE FOGO DE ARTIFÍCIO“ Fogo do Meio “
O fogo entre pontes. Das mais espectaculares sessões que passam no nosso país.
A verdadeira sedução da arte pirotécnica. A magia e o sonho, a felicidade de se assistir a um grande espectáculo.